Apontamentos fugazes 190

Escalas

Antes de ti, o máximo era cem e acessível; depois de ti, o máximo é mil mas inatingível.

Obrigada L.!

Recomendações 54

An end has a start - Editors

Sim, sei que estou muito atrasada, mas só agora percebi que gosto muito deste álbum.



Racing rats, live, 2008

Trivialidades 226

Acho que tenho sotaque francês quando falo alemão...

Apontantos fugazes 189

É exactamente como eu

«Esta frase, é exactamente como eu, eu… parece ser um eco de aprovação, uma maneira de continuar a reflexão do outro, mas é um engano: na realidade, é uma revolta brutal contra uma violência brutal, um esforço para libertar o nosso próprio ouvido da escravidão e ocupar à força o ouvido do adversário.»


Milan Kundera, «O livro do riso e do esquecimento», Edições Asa, p. 86

Apontamentos fugazes 188

Excitação

Hoje, aquela excitação de olhos risonhos, apareceu novamente. E com ela a comoção da escrita e da existência do escritor. Obrigada, companheiros de casa. a

Apontamentos fugazes 187

Jeff

Trago o Jeff Buckley preso nos ouvidos para me lembrar. Da importância e da fatalidade.

Recomendações 53

In the mood for love – Wong Kar Wai

Apontamentos fugazes 186

Troubled


People are, usually, troubled in their teens. The challenge though is to keep troubled all our lives.

Trivialidades 225

Skills

É talvez deprimente, mas estou seriamente a considerar vestir-me de modo demasiado provocador amanhã, numa tentativa de distrair (corrijo, fazer concentrar) pessoas durante uma reunião. O meu objectivo não é perverso, garanto: só quero que a reunião corra bem.

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Melhores temas de sempre 6

Ouvi dizer – Ornatos Violeta



[Ouvi dizer, “O monstro precisa de amigos”, 1999]

Apontamentos fugazes 185

Ironias


Tenho procurado saudosamente, sem convicção, a minha necessidade de escrever. E hoje, num domingo indefinido, em que tenho que trabalhar eficientemente, é que a vontade de escrever aparece como louca, saudosa de mim.

Apontamentos fugazes 184

Sobre o Senhor

«Perguntou isaac, Pai, que mal te fiz eu para teres querido matar-me, a mim que sou o teu único filho, Mal não me fizeste, isaac, então por que quiseste cortar-me a garganta como se eu fosse um borrego, perguntou o moço, se não tivesse aparecido aquele homem para segurar-te o braço, que o senhor o cubra de bênçãos, estarias agora a levar um cadáver para casa, A ideia foi do senhor, que queria tirar a prova, A prova de quê, Da minha fé, da minha obediência, E que senhor é esse que ordena a um pai que mate o seu próprio filho, É o senhor que temos, o senhor dos nossos antepassados, o senhor que já cá estava quando nascemos, E se esse senhor tivesse um filho, também o mandaria matar, perguntou isaac, O futuro o dirá, Então o senhor é capaz de tudo, do bom, do mau e do pior, Assim é, Se tu tivesses desobedecido à ordem, que sucederia, perguntou isaac, O costume do senhor é mandar a ruína, ou uma doença, a quem lhe falhou, Então o senhor é rancoroso, Acho que sim, respondeu abrãao em voz baixa, como se temesse ser ouvido, ao senhor nada é impossível, Nem um erro ou um crime, perguntou Isaac, Os erros e os crimes sobretudo, Pai, não me entendo com esta religião (…)»

José Saramago, «Caim», Caminho, p.85
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Trivialidades 224

Ciclo hunks – Matt Bomer

Sexy, stylish and hot, hot, hot: 3 variantes de um motivo para eu visitar o meu blog.







Recomendações 52

A day in the day of days - Noiserv

Um E.P. fantástico





B.I.F.O.
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Poemas 42

I would

I would scream my lungs out
Were I not to have lost my voice
I would have kept unbend
Were I not folded inside out.
I will love you forever
No matter all the hatred in me

Janeiro de 2011
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Apontamentos fugazes 183

Excertos de Promessa

«Porque há mais verdade neste momento em que escrevo do que em todo o passado ou futuro.»

«Lembro-me que, às vezes, Sérgio largava, desgarrado, serra fora, sem aviso. De uma vez, lá o fui achar estirado entre penedos, olhando, pasmado, para o céu. (…) Ao ver-me, Sérgio não se perturbou:
– Que está a fazer? – perguntei com estupidez.
– Nada. Estou a sofrer.
(…)
– Então porque sofre?
– Isso é uma pergunta idiota, meu filho. Alguém pergunta porque é que a noite é triste e o sol alegre? Sofrer é tão natural e espontâneo como existir. Só os insuficientes é que procuram uma causa para serem felizes ou infelizes.»

«Por enquanto é livre porque, apesar de tudo, pensa. E só a acção nega a liberdade. Agindo, perde-se. Porque, quando se age, não se pode agir outra coisa.»

«E o interessante é sentir. Só isso dá p gosto de sermos. Sentir dilata o ser aos extremos limites. Diabo! Viver plenamente! A única coisa que temos à mão é a nossa vida. Mas ela própria se esquiva se tentarmos entendê-la como os seus existencialismos verificaram. Vem-nos, todavia, à posse integral se a libertarmos para um sentir máximo. Enfim, tudo isto é falso por estar a dizê-lo. Oxalá não me tenha feito compreender bem.»

«(…) se bem que poetas e filósofos, abraçados, se reclamam da visão última – definitiva – dos factos.»

« Mas que me importam os factos, se tenho as ideias?)»


Vergílio Ferreira, «Promessa», Quetzal, pp.40, 83-84, 85, 101, 119, 166, obra do espólio de VF
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Pensamentos líquidos 108

Vergílio Ferreira, espólio e o primeiro post do ano

Leio Vergílio Ferreira novamente, como que a propósito da edição recente de obras do seu espólio. Como se motivos fossem necessários…
Leio Vergílio novamente e, como sempre, algo muito especial acontece. Tão especial que me culpo das palavras que utilizo para o dizer. Talvez só as dele pudessem dizer o eu quero. E então pareço querer arrancar verdades de mim, aqui, só para as dizer sobre ele.
Ora, a importância das coisas depende do sujeito. As minhas preocupações importantes parecem ter sido já todas pensadas, trabalhadas, resolvidas por V.
Tento escrever, com esta comoção de quem procura verdades e as encontra nas palavras de outrem. Verdades. Procura. Partilha de interesses semelhantes. É isto que V. me dá sem o saber. É nesta ‘arte-verdade’ que V. já tinha pensado, que encontro as respostas que procuro; as perguntas que procuro. São verdades individuais, inexoráveis, com uma força impossível de igualar. Para mim. Compreensão.
Disseram-me, como se eu não soubesse, que esta minha ‘arte-verdade’ é a minha religião. É-o, na perspectiva de ser maior; mas só aí. Em tudo o resto é mais genuína. É uma ‘arte-verdade’ individual, partilhada através da dúvida e por cumplicidade, nunca por dogma. É uma procura, mais do que uma resposta. E ironicamente é humana. O que a torna tão mais notável porque existe sem hipóteses.
Para mim é, talvez, a ‘arte-filosofia’. Porventura por isso nunca compreendi a fotografia como forma de arte. Porque a minha arte é muito mais do que um exercício estético de técnica. E por isso a sua subjectividade.
A obra de arte é tão mais especial quanto mais verdade trouxer. E V. traz-me muita.

Aproveito para parabenizar e agradecer à equipa Vergílio Ferreira pelo trabalho ao longo dos anos e, especialmente, a Fernanda Irene Fonseca e Hélder Godinho pela publicação destas obras do seu espólio. É muito apreciado.

Nos próximos tempos trar-vos-ei excertos de Promessa e de um Diário Inédito.
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Trivialidades 223

Ciclo guilty pleasures

Whitney Houston
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Apontamentos fugazes 182

Sobre as cumplicidades

«(I must confess to being as confused as I have ever been, when it comes to the subject of compatibility. I have tried to live with women who share a similar sensibility to mine, with predictably disastrous consequences, but the opposite route seems every bit as hopeless. We get together with people because they’re the same or because they’re different, and in the end with split with them for exactly the same reasons.)»

Nick Hornby, «Juliet, Naked», Pengiun, p. 65
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Apontamentos fugazes 181

Inverso

E eu que só queria um dia de actividades fúteis.
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Apontamentos fugazes 180

Sobre as verdades

«Existe o que quero dizer e existe a minha voz. Nem sempre o tom da minha voz corresponde ao que quero dizer e, mesmo assim, molda-o tanto como as palavras que escolho. Sou menos dono da minha própria voz do que destas palavras, indexadas em dicionários que já estavam impressos antes de eu nascer. (…) O que quero dizer também é como este livro: mundo subjectivo, existente e inexistente, sugerido pelo significado das palavras.»

«Ao longo da escrita deste livro que estás a ler, tenho sentido que gostaria de poder fazer o mesmo com o que eu sei. No campo, num fim de tarde, estender esse conhecimento no ar, em pazadas, e assim separar aquilo que apenas presumo daquilo que foi mesmo. Por mais efeito que possa ter aquilo que presumo, é aquilo que foi mesmo que chega ao lagar, que alimenta. Aquilo que foi mesmo não é necessariamente aquilo que aconteceu. É algo muito mais importante, é a verdade. Sim, já sei, o que é a verdade? Sim, já sei, não sei.
Peço-te desculpa por este comentário, folhinha. Sem tristeza, por favor. Não o leves a mal, folha de oliveira. Precisei de fazê-lo para, depois, ser capaz de o esquecer.»

José Luís Peixoto, «Livro», Quetzal, pp. 235 e 241

Apontamentos fugazes 179

Sobre a importância da literatura

Obrigada.

«Mas tu ainda estás aí, olá, eu ainda estou aqui e não poderia ir-me embora sem te agradecer. Aí e aqui ainda é o mesmo lugar. Sinto-me grato por essa certeza simples. A paisagem, mundo de objectos, apenas ganhará realidade quando deixarmos estas palavras. Até lá, temos a cabeça submersa neste tempo sem relógios, sem dias de calendário, sem estações, sem idade, sem agosto, este tempo encadernado. As tuas mãos seguram este livro e, no entanto, nas tuas mãos, é manhã. Nas tuas mãos, a minha mãe, o Ilídio e o Cosme estão no andar de cima, ouve-se os passos, as cadeiras a serem arrastadas. Nas tuas mãos a vila descansa e Paris é tão longe. Às vezes, penso em ti sem te dizer. Mesmo esses pensamentos invisíveis estão agora nas tuas mãos. Seguras o meu nome. Este livro que estás a ler e que estou a escrever, onde estamos, é exactamente o mesmo que a minha mãe me pousou nas mãos, como na primeira frase. Também esse livro era este. O início também é agora. O amanhecer apenas se distingue do anoitecer por aquilo que o antecedeu e pela sucessão que lhe imaginamos, o antes e o depois. Agradeço-te por teres aceitado que este livro se transformasse em ti e pela generosidade de te teres transformado nele, agradeço-te pela claridade que entra por esta janela e por tudo aquilo que me constitui, agradeço-te por me teres deixado existir, agradeço-te por me teres trazido à última página e por seguires comigo até à última palavra. Sim, tu e eu sabemos, isto: . Insignificância, pedaço de nada, interior da letra ó. Mas isso será daqui a pouco. Por enquanto, aproveitemos, ainda estamos aqui.»

José Luís Peixoto, «Livro», Quetzal, pp. 262, 263

É isto. Percebem agora?
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Pensamentos líquidos 107

The National – concert in Germany

There is nothing like the arts. Nothing. There is nothing like the excitement of understanding oneself better through a creative search for truth.

Music in particular is a very genuine type of art. And I have been missing my music like hell. I have been missing being in a concert with all my cells jumping wildly with the feeling of finally having found something worthwhile getting uneasy for.

It is a different feeling to attend a concert in Germany (in Frankfurt?). Ironically, everything looks less organic. I still remember being terribly happy when I couldn’t breathe for three songs during my first Muse concert. Surely that wouldn’t happen in Frankfurt. Fair enough. But I must say I am still amazed of how still, not interactive, a crowd can be with a band they actually like. The National.

I started my ‘The National’ craving not so long ago. But I started it steadily and am now convinced of how much I like them. I could try to explain how the concert I went to see last Thursday worked out. I could try to explain you how I can hear my own voice in the bits I recorded. I could try to tell you all that, but I would be missing the most important. No matter the surprise of being almost the only one singing or jumping, I would be understating how good the concert was.

I could try to tell you lots of things. I choose to tell I enjoyed the concert very much. I choose to tell you it was so nice to get back again together with arts authenticity. And I choose to show you the following.



Runaway



Vanderlyle crybaby geeks


Well. Interactive or not, I still want to attend concerts in Germany. Even if I feel a bit marginalised in their way of eating up the thrill for art.

But you know. It is that feeling of smiling through tears because you found something. Something worthwhile getting vulnerable for.
a

Apontamentos fugazes 178

Não tenho escrito. Por preguiça, talvez por cansaço. Mas acima de tudo por indiferença e acomodação. Quero outra vez a inquietude.
a

Trivialidades 222

Camille Lacourt

O novo menino bonito, corrijo, hunky, da natação.
s


Look at this smile.
a

Apontamentos fugazes 177

But I didn’t see that the joke was on me.
a

Poemas 41

A joke
a
A joke,
Helpless, hopeless,
In a black hole
Falling, crawling
To the end
a
[Julho de 2010]

Apontamentos fugazes 176

Sobre o mundo sem Deus

“(…) «Mas então, como é que o homem vai viver?», pergunto-lhe eu, «sem Deus e sem a vida eterna? Nesse caso, tudo será permitido, não é?» « E não sabias disso?», diz ele.”

“ (…) A mim, é Deus que me atormenta. Só isso me atormenta. O que será se Ele não existir? E se o Rakítin tiver razão e esta ideia da humanidade for artificial? Nesse caso, se Ele não existir, o homem é o dono da terra, do universo. Magnifico! Simplesmente, como será virtuoso o homem sem Deus? (…) Agora, o que mais me espanta é as pessoas viverem sem pensarem em nada disto. Vaidade! O Ivan não tem Deus. O Ivan tem a ideia. De uma dimensão diferente da minha.”

«Os irmãos Karamázov – Volume II», Fiódor Dostoiévski, Editorial Presença, pp. 309 e 311
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Pensamentos líquidos 106

Número de reclusos nos EUA

É “natural” que, num estado de direito, quem cometa uma ofensa criminal grave seja privado da sua liberdade durante um período de tempo. Foi o modo acordado para lidar com ofensas sérias aos direitos de outros. E, julgo, faz sentido. Se por um lado, há que haver um conjunto de regras que estipule o que é e não permitido a uma vida em sociedade, por outro, há que haver um modo de as tornar efectivas. Adicionalmente, quando alguém põe em perigo a vida em sociedade (e a vida de outros em particular) de um modo de tal forma grave que se considera não ser prudente deixá-lo livre, então, julgo, faz sentido, restringir as acções dessa pessoa, designadamente através da sua prisão. Mas não faz sentido encarcerar pessoas que cometem pequenos delitos só porque politicamente se querer mostrar quão duro se é contra o “crime”. E muito menos faz sentido fazer cumprir uma pena ilógica. Leiam, a este propósito, este artigo no Economist sobre o número de reclusos nos EUA. Chamo a atenção, em particular, para o primeiro parágrafo que seria hilariante de tão ridículo, se não se estivesse a falar de privar pessoas da sua liberdade física.


«IN 2000 four Americans were charged with importing lobster tails in plastic bags rather than cardboard boxes, in violation of a Honduran regulation that Honduras no longer enforces. They had fallen foul of the Lacey Act, which bars Americans from breaking foreign rules when hunting or fishing. The original intent was to prevent Americans from, say, poaching elephants in Kenya. But it has been interpreted to mean that they must abide by every footling wildlife regulation on Earth. The lobstermen had no idea they were breaking the law. Yet three of them got eight years apiece. Two are still in jail.»
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The Economist, artigo supra-referido
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