UK vs USAPosso começar com o famoso «as sondagens valem o que valem», mas se se tiver em atenção as limitações que lhes são inerentes, podem sempre resultar em análises interessantes. E neste caso, o que é que temos? Uma avaliação das semelhanças e das diferenças entre Britânicos e Norte-Americanos em relação a temas-base, como os valores, a religião ou as acções militares. Se a hipótese nula for que a ligação que une estes dois conjuntos de estados é forte então, com esta sondagem, temos uma notável rejeição de H0.
Convido-vos a ler o
artigo da Economist e a enlarge the [other] picture que contém o detalhe das perguntas feitas e das respostas recebidas. É interessantíssimo.

Agora, do que a minha experiência pode comentar, digo-vos que não há cidade alguma em que me sinta tão “livre” como em Londres. Londres é o verdadeiro melting pot dos livros de inglês do 5º ano; onde a diferença interessa pouco e muito, simultaneamente. Pouco porque, na generalidade, não levanta questões; mas muito porque as diferenças são aceites e respeitadas. Em Londres, um casal homo ou heterossexual de mão dada é só um casal de mão dada, não há mais nada a comentar (nem em São Francisco é assim, onde a sensação de ghettos, mais ou menos chiques, prevalece). Em Londres, um punk de cabelo rosa e 25 piercings é só mais uma pessoa.
Se, em Londres, confesso nem sequer ser ateia porque o ateísmo já é uma negação e eu nem sequer tenho um deus para negar, dizem talvez ser uma discussão filosófica interessante. Nos EUA, dir-me-iam «oh, my poor girl, your soul will burn in hell for that heresy».
Quando chego a Londres, apesar dos apertados controlos de segurança que roçam muitas vezes o insuportável, não me sinto uma terrorista. À entrada nos EUA, consigo imaginar pessoas a confessarem horrores que nunca cometeram só para não se sentirem tão mal por serem “estrangeiros”.
É curiosíssimo, de uma sociedade que se julga “tradicionalista”, a Inglaterra representada em Londres é do mais liberal (não gosto nada de utilizar esta palavra, mas sinceramente não me lembrei de uma melhor) que se possa conceber.
E por aqui me fico. Já escrevi demais quando, na verdade, só vos queria dar a conhecer o artigo. Mas as palavras brotam. Nestas coisas. Nestas coisas.
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