Poemas 38

Em jeito de desejos de um ano de 2010 melhor


Sonnet to the symbolism of days

I’ve been through hell,
all shattered and bruised
I’ve survived indifferently
to overcome the years.

I’ve been through hell
and realised the changes.
I’ve understood the pain
of enduring increasing woe.

I’ve been through hell
loosing myself in despair,
growing an inner insurrection

I’ve been through hell and back
Not stronger to have survived
But again aware of being alive.

[Dezembro de 2009]

a

Homenagens 56

Comparação de “Mon coeur s’ouvre a ta voix”

Mon coeur s’ouvre a ta voix, Maria Callas



I belong to you (mon coeur s’ouvre a ta voix), Muse

a

Homenagens 55

My sister – may all your dreams come true




You are my sister, Antony and the Johnsons, I am a bird now

Covers melhores do que o original 3

Across the universe

Original – Beatles




Versão de Rufus Wainwright

[infelizmente, o “embed” não é possível]

Ver aqui: youtube a
a

Homenagens 54

Muse em concerto

Tenho procurado, desde Domingo, uma notícia decente sobre o concerto dos Muse, no Pavilhão Atlântico. E, para meu (pequeno) espanto: não achei uma. Uma! Todas as notícias/artigos que li sobre o concerto eram pouco melhores do que sofríveis. E, para além de isto me irritar, obriga-me no mínimo a tentar dar o meu contributo. O contributo de quem viu o concerto e de quem gosta de Muse. E de quem, enquanto escreve isto, se sente culpada porque devia estar a trabalhar!

Shame on you que escreveram sobre o assunto miseravelmente e shame on you que não escreveram sobre o assunto. A Resistance tour está esgotadíssima em todo o lado, os Muse anunciam datas adicionais frequentemente e nem sequer um artigo sobre o concerto? Shame on you.

Agora que já desabafei, vamos ao concerto. O concerto foi muito bom. A justificação é plain and simple: o concerto foi muito bom porque os Muse são muito bons músicos, performers profissionais e têm temas muito bons. Poderia ficar por aqui e acho que já teria sido justa. Mas não teria dito que os Muse são grandiosos, apoteóticos; também em concerto.

Contrariamente ao que se lê por aí, o concerto não resultou porque eles já tinham os fãs ganhos. Nem porque eles “popizaram" (tornar “pop”)” o som e o espectáculo. Não. Porque, apesar de já terem os fãs ganhos, os Muse fazem tudo em palco pelos temas que compõem. Em concerto, são brilhantes, perfeitos. E foram-no no último domingo. São a melhor banda que eu já vi em palco.

Este foi apenas o meu segundo concerto de Muse. O meu primeiro concerto de Muse, há 3 anos atrás, foi num palco mais emblemático. Foi o fecho da tour britânica de apresentação do Black Holes and Revelations. Na Wembley Arena. Sim, é difícil bater isto.

E este espectáculo no Pavilhão Atlântico não bateu. Não bateu por alguns motivos.

O primeiro porque o concerto de há 3 anos atrás Wembley Arena foi o melhor espectáculo que já vi.

O segundo porque eu, apesar de tudo, continuo muito próxima dos 3 primeiros álbuns da banda e senti muita falta de alguns temas, como o Space Dementia, que é uma obra-prima do tamanho do mundo ou do TSP que eu adoro. Porque apesar de compreender, eu gostava de ter ouvido o contraste dos collateral damages (nocturno do Chopin) no final do United States of Eurasia.


[Space Dementia, Origin of symmetry]


O terceiro porque apesar desta tour ser porventura mais “espectacular”, não tem tanto da “essência” histórica de Muse . Tem menos piano do Matt e tem temas como o Undisclosed Desires (The Resistance) e o Supermassive Black Hole (Black Holes and Revelations) que para os fãs “históricos” dos Muse são mais difíceis de ouvir. Abdica, do último álbum, do “I belong to you (mon coeur s’ouvre a ta voix) e de dois dos Exogenesis. E, para mim, os Muse também são isso. Isso como eu uma vez descrevi este último álbum: a sensibilidade de Chopin a encontrar uma guitarra eléctrica. Não quero que isto seja mal entendido: o alinhamento, como tocado, criou uma sequência potentíssima que só os Muse ousam.

Os motivos daqui em diante são circunstanciais. O quarto motivo é que no meu primeiro concerto de Muse eu via, de facto, o palco e a proximidade com os músicos é uma coisa inigualável.

O quinto motivo é mesmo a qualidade de som e levanta quase o meu descontentamento. Os Muse são virtualmente perfeitos ao vivo. Tão perfeitos que, no primeiro concerto, me deixaram a pensar que eram quase perfeitos demais, ao ponto de o som parecer “plástico”, quase hermético. E o Pavilhão Atlântico não é um local que faça justiça aos Muse. Não tenham dúvidas: o som dos Muse é melhor do que aquilo que ouviram ali.

O sexto e último motivo é a minha razão egoísta. Mais do que há três anos atrás, agora os Muse têm muitos fãs. E há uma parte de mim que gosta da ideia de eles serem alternativos, de não serem fáceis de ouvir. Porque não são fáceis de ouvir. Nos últimos dois álbuns eu demorei semanas a aprender a ouvi-los e indigna-me um bocadinho que cheguem pessoas e achem que Muse se digerem facilmente. Eles são muito mais do que isso.

Again, don’t get me wrong. Eu fico contente com a mundialização apoteótica e aceitação dos Muse. É merecida. Mas eu espero que seja pelo reconhecimento que os fãs lhes devem, pela qualidade inegável. Não porque subitamente é inexplicavelmente fácil para as pessoas ouvi-los.

Queria escrever um texto justo ao concerto de Domingo dos Muse e percebo que não o consegui. Também eu peço desculpa. É consequência de estar a roubar tempo ao trabalho que tenho que fazer, aos olhos ardentes e desfocados de muito tempo ao computador nas últimas semanas, à excitação de ter que lhes fazer justiça, mas acima de tudo à falta de inspiração.

Por isso, ouçam o que incluo a seguir.





[Exogenesis: symphony part 2 Cross-pollination]



[Exogenesis: symphony part 3 Redemption]


Não gostavam de ouvir isto ao vivo? Não se acham capazes de mudar o mundo com uma música?

Estes são os Muse. Acho que só queria mostrar isso com este texto . Talvez devesse ter colocado somente excertos deles em concerto. Estou certa que seria suficiente.

Poemas 37

You took everything away

You showed me what I could have
And then you took it away

If only I could keep ignorant
Of all that happiness
I would be so much better
If only I could be as before

You killed me as I was
And didn’t take me as I am

You showed me a better place
That was filled with you
You left me there, locked door
To die. You left.

You showed me what I could have
And then you took it away

[2009?]

Pensamentos líquidos 104

Julgamento do mentor dos atentados de 11 de Setembro

O julgamento do mentor dos atentados do 11 de Setembro será civil, em Nova Iorque. Apesar de não ter argumentos jurídicos que sustentem a minha posição, sou, por princípio, contra tribunais militares. Na verdade, porque me parecem sempre um pouco à margem da lei e porque tenho a sensação que os militares gostam de achar que podem impor as suas directrizes não oficiais de gang.

Agora, independentemente da correcção dos resultados e eficiência dos sistemas judiciais, considero que é nesse campo que os réus devem ser julgados. E é por isso que a solução agora definida para este caso me parece adequada e sensata. Mas espero, acima de tudo, que seja justa.
a

Homenagens 53

Kurt Cobain e a reedição de Bleach

A minha simpatia pelo Kurt Cobain vai tão para além da música quanto permanece nela. É a admiração que tenho pelos desadequados, pelos inquietos e por esses que são artistas. Por aqueles que reconhecem os erros (em si e no mundo) e sofrem por não conseguirem fazer o suficiente por aquilo em que acreditam. Por aqueles que lutam de uma maneira atabalhoada por terem sentido.

Passam agora vinte anos da edição do Bleach e o álbum vai ser reeditado, tal como um DVD com o “Live at Reading”. Há sempre uma tristeza que me trespassa quando penso nos Nirvana, no Kurt. E, no entanto, é nestas alturas, ou quando os revisito e ouço, que me lembro e penso novamente: só espero, só posso esperar, que tenha sido ela a abdicar de continuar. Porque isso já é ter algum sentido.

Há uma crítica, a este propósito, no Y. Crítica sobre o mito “Kurt”, que apesar de não partilhar, considero ser de algum interesse ler.
a

Recomendações 44

Um concerto dos Massive Attack

Se eu não tivesse visto o concerto ontem, tentaria tudo para arranjar bilhetes para hoje.



[Massive Attack, Campo Pequeno, Lisboa, 21 de Novembro 09]
a

Apontamentos fugazes 162

Já eu penso o contrário

«Não há aqui um raciocínio nem uma lógica, ama-se com as entranhas, com o nosso íntimo ser, amamos as nossas primeiras forças jovens… Compreendes alguma coisa do meu palavrório, Aliocha? – riu-se de súbito Ivan.
‑ Compreendo perfeitamente, Ivan: apetece-nos amar com as entranhas e com todo o nosso ser… disseste-o maravilhosamente e estou muito feliz por teres tanta vontade de viver – exclamou Aliocha. – Acho que toda a gente, primeiro que tudo, se deve afeiçoar à vida.
‑ Afeiçoar-se à vida mais do que ao sentido da vida?
‑ Sim, necessariamente, amá-la mais do que à lógica, e só assim se compreenderá também o seu sentido. É isso que penso desde há muito. (…)»


«Os irmãos Karamázov», Fiódor Dostoiévski, pp. 283, Editorial Presença

Apontamentos fugazes 161

Oops

O que me diriam se vos dissesse que passei um semáforo… lilás?
a

Covers melhores do que o original 2

Hallelujah

Original de Leonard Cohen




Versão de Jeff Buckley

a

Covers melhores do que o original 1

Prefácio

Foi um mero acaso lembrar-me de iniciar este ciclo – “
covers melhores do que o original”. Aconteceu porque não estava a conseguir adequar nenhuma das minhas etiquetas (pensamentos líquidos, apontamentos fugazes, homenagens, recomendações,…) a um post que queria fazer. Esse post era sobre uma canção dos Beatles recriada pelo Rufus Wainwright. E subitamente ocorreu-me que esta ideia talvez merecesse uma etiqueta própria. E foi assim. Depois, tive a certeza que não podia começar com essa versão do Rufus porque havia covers de que gostava mais. E foi assim. Que começaram os meus dilemas. Como começar? Soube que não conseguia escolher entre duas. Portanto aqui vai. Bem de seguida.


The man who sold the world

Original de David Bowie



Versão “unplugged” dos Nirvana



Sempre que vejo imagens deste unplugged penso no mesmo: este casaco de malha verde é demasiado premonitório e traz lágrimas aos olhos das pessoas.

PS. Tive que abdicar de qualidade de som e imagem para a incorporação do vídeo no blog ser permitida.
a

Trivialidades 214

Marat Safin

Safin fez hoje o último jogo no circuito ATP. E isto deixa-me um bocadinho triste. E nem é por ele fazer este tipo de coisas.



Mas porque ele é talentosíssimo. O arqui-rival potencial do Federer.



[Semi-final do Australia Open, Safin - Federer]

Poemas 36

Combinação de eus


Sou mais eus do que os eus que me habitam
porque há um conjunto de combinações
que só em mim são possíveis
e todos estes que eu sou, só uma no final
tão improvável que cada mero respirar
sobreavisa-me que as mentiras que julgava viver
são as únicas verdades possíveis
para alguém que, como eu, é tantos,
mas só uma quando respira.

[Agosto de 2005]

Trivialidades 212

Avulsos

Peter Gabriel faz “recriações” de músicos notáveis

O que eu dava por um Chagallzito

Exposição “É proibido proibir” no MUDE
a

Pensamentos líquidos 103

Intensidade

Estou cá, mas não estou. Entre um artigo da Economist que devo ler para me inspirar para um trabalho que devo fazer e a entrevista do Lobo Antunes à Y, perco-me. Entro no mundo de quem gosto de ler. No seu mundo hermético com poros enigmáticos.

Entro, incógnita, por um desses poros. Não me faz sentido nenhum (algum) ter que ler sobre rendibilidade e alteração da composição do financiamento dos bancos, quando há o Lobo Antunes. Adoro Lobo Antunes “to pieces”. Adoro esta sensação. Vivo para este fascínio por temas, por verdades. Mas às vezes está tão longe e eu sobrevivo esquecida do importante. Nem sempre se está preparado para o importante. Porque o importante tem que excitar como louco, o importante tem que causar uma inquietude de fazer doer. A intensidade do interesse.

Às vezes penso nos momentos. Nesses momentos. Em que senti essa “coisa”, essa excitação pelas ideias. Não há nada como essa intensidade de partilha. Tenho medo.

Porque cada vez acontece menos. Menos. Menos. É tão raro. Mas. Hoje aqui, a tentar trabalhar, mas excitada com uma entrevista. Uma entrevista. Frases soltas, quase incoerentes. Mas, ah, a excitação. Adoro esta intensidade excitada por ideias quando vêm dentro de pessoas. Só podem aparecer dentro de pessoas. Umas quantas. Tão poucas. As pessoas da partilha. Da verdade. As pessoas sem histórias.

Este é o sentimento raro que se opõe ao tédio. Talvez seja a sua raridade que lhe traz a preciosidade, o valor. Mas viveria melhor, viveria em plenitude, se pudesse ter estes laivos de intensidade diariamente. Como agora, por exemplo, em que escrevo. Escrevo sem objectivo. Escrevo sem motivo? Mas escrevo porque preciso. Escrevo pela excitação de compreender a excitação sentida. E escrevo. Escrevo. Escrevo estas palavras que vão pingando dos meus dedos. Adoro escrever a esta velocidade louca, de quem não quer perder ideias, palavras. Ideias. De não perder a excitação.

Mas a excitação é fugaz. Voa. Voa. Etérea. E eu esforço-me para a agarrar com as minhas palavras.

Lobo Antunes chamar-me-ia patética se lhe contasse isto. Teria razão.


«Também torce o nariz a que lhe falem de personagens, a propósito deste último livro (de qualquer um).
- São símbolos de verdades mais profundas, não são pessoas. O que interessa são as palavras. Se eu quisesse contar histórias, contava. »
a

Trivialidades 211

Quoth the raven

nevermore.
a

Trivialidades 210

Surpresa

E não é que eu estou a sentir uma simpatia por um... um... um... ÁRBITRO de futebol! É o rapaz jeitoso (e grande... e atlético... e... e...) que está a arbitrar o Porto - APOEL.
a

Trivialidades 209

Oops
a
Ultimamente faço atendimento telefónico. Sou um género de linha 24 para assuntos relacionados com liquidez (de bancos). E isto cansa. Não obstante, à medida que o tempo vai passando, estou a tornar-me uma profissional. Lido com estes telefonemas com uma leveza e destrezas mental e linguística que não tinha no início.
a
Mas, na verdade, nem era isto que vos queria dizer. Pois, não era. Queria falar-vos de lapsos de linguagem e de pontaria.
a
Ora, respondia eu hoje a mais umas dúvidas e a destreza linguística gerou esta frase genial "exacto, isso é o fluxo do período". E enquanto dizia esta frase crescia em mim uma imensa vontade de rir. Mas mantive-me séria, como se falar de menstruações fizesse parte de qualquer conversa de gestão de liquidez.
a

Trivialidades 208

Auto-incentivos

(e não, não são incentivos à compra de automóveis!)

Abrir o blog próprio para ter umas fotos do Joseph Fiennes à mão enquanto se trabalha em algo aborrecido.
a

Trivialidades 207

Ciclo hunks - Joseph Fiennes




[The hunkiest Shakespeare possible]

Homenagens 52

Reminiscências
a
Ouvi dizer que o nosso amor acabou
pois eu não tive a noção do seu fim
pelo que eu já tentei
eu não vou vê-lo em mim.
a


[Ornatos Violeta, Ouvi dizer]

Recomendaçõe 43

Just Breathe and The End – Pearl Jam



Provavelmente as minhas duas faixas preferidas (de momento) do Backspacer.

Há uma parte em mim que se sente atormentada por achar que o Eddie Vedder está a perder mais cabelo do que aquele que cresce, como se isso fosse, nele, impossível.
a

Trivialidades 206

O que ficámos a saber nesta noite eleitoral II

(agora a sério)
a
- Derrota da (ex-)Presidente da CM de Leiria, Isabel Damasceno (PSD) e vitória de Raúl Castro (PS): já sem o meu voto (que reside em Lx agora);
- Vitória com 62% de Luís Filipe Menezes (PSD) em Gaia: goste-se ou não do estilo do sr., 62% é assinalável, se comparado com 25% do segundo candidato.
a

Trivialidades 205

O que ficámos a saber nesta noite eleitoral I
a
O pai de Manuel Pinho fez nascer António Costa; e
O pai de Rodrigo Guedes de Carvalho fez nascer Bárbara Guimarães.
a

Pensamentos líquidos 102

Obama, Nobel da paz?

Um Nobel da paz atribuído a Obama deixar-me-ia contente. Quando, depois de dois mandatos, ou até antes, os actos e as ideias por ele defendidas mostrassem como ele era meritório deste tipo de reconhecimento.

Mas esta atribuição, agora, não me deixou, realmente, contente. Eu acho que este foi o dia em que a Academia decidiu armadilhar um bocadinho mais o percurso de Obama (e.g.). Um caminho que, convenhamos, não é fácil.

Mas, na verdade, o que mais me irrita na atribuição deste prémio são as condições criadas para a crítica fácil. Para o “não sei o que é que ele fez em menos de um ano”, ou para “há tantas pessoas por aí a lutar há tantos anos”, ou ainda para “Ele não é assim tão bom, a comparação é que era demasiado má”. Porque todas estas afirmações podem até ser verdade, mas o prémio foi-lhe atribuído sem ele o solicitar e agora mais do que a crítica à academia, parece fazer-se a crítica aos “small achievements” de Obama. Porque não foram “small”.

E, no entanto, eu acredito. Acredito que, ainda assim, Obama irá estar à altura das expectativas que criou sobre si. E acredito, ademais, que ele É, mesmo hoje, digno do prémio. Mas esta pressão extemporânea e este convite à crítica eram tudo menos necessários.

Pensamentos líquidos 101

Escolha no Irão: ousar ou morrer.

Lembram-se das manifestações no Irão, aquando dos resultados das "eleições" que, alegadamente, reconduziram d'Ahmadinejad no cargo de presidente da “república”? Estão a ser punidas já, para além das encarcerações. Ali-Zamani, um dos manifestantes, foi hoje condenado à morte por um “tribunal” iraniano. Notícias aqui, aqui ou aqui.
a

Trivialidades 204

Sou só eu que acho o riso de Elisa Ferreira maquiavélico? E assustador? E creepy? Ui.
a

Poemas 35

To write again

It’s been so long
since I’ve written my last word;
so much work and hopeless thoughts.
It’s been so long
since I’ve written my last word.

I’ve been singing others’ songs,
reading others’ books,
eating others’ meals
neglecting what I could do.

It’s been so long
since I’ve written my last word.
I became speechless of tiredness.
It’s been so long
since I’ve written my last word.

And I seem to find myself
enclosed in my unlinked mind,
in a wretched body of achievements
so socially desirable.

It’s been so long
since I’ve written my last word
and now I don’t know
if I want to write again.

[Outubro de 2004]

Apontamentos fugazes 160

Me, myself and Brezhnev & Honecker kiss


[Famosa pintura (e eu) no Muro de Berlin, by Dmitri Vrubel]

Apontamentos fugazes 159

Excentricidade

«Mas a invulgaridade e a excentricidade antes prejudicam do que conferem direito à atenção, especialmente quando toda a gente anseia por combinar particularidades e achar um pouco que seja de sentido universal no meio da ausência de sentido em geral. Ora, um excêntrico, na maioria dos casos, é um caso particular e isolado. Não é verdade?»

Prefácio de F. Dostoiévski a «Os irmãos Karamázov», Fiódor Dostoiévski, Editorial Presença
a

Apontamentos fugazes 158

Catastrophe

Catastrophe c’est la première strophe d’un poème d’amour.

Jean-Luc Godard, a propósito de Padam Padam
a

Trivialidades 202

In between
a
this
a


[St. Paul's cathedral, London]


and this



[Brandenburger Tor, Berlin]

Trivialidades 201

Ciclo hotties – Mary-Louise Parker




[A actriz principal de uma das minhas séries preferidas – Weeds]



Recomendações 41

Gato Fedorento esmiuça os sufrágios

Click here para a entrevista com a Manuela Ferreira Leite.

(O embed dos vídeos não está a funcionar)
a

Trivialidades 200

Nadal – del Potro

Estou a ver as meias-finais do US Open. Eu gosto do Rafa e o delPo está a jogar melhor. Até aqui aceito e reconheço que me irrita. Agora ter que aturar os comentários parvos da Eurosport não tenho. Vejo sem som.
a

Recomendações 40

Muse's "The resistance"
a
When the sensibility of Chopin meets an electric guitar, the resistance is created.
a
You can listen to it here.
a
«I can't find the words to say
When I'm confused
I travelled half the world to say
You are my mu-se»
a
[I belong to you (mon coeur s'ouvre a ta voix), The Resistance, Muse, 2009]
a

Trivialidades 199

Dormir no sofá
a
Esta noite adormeci propositadamente no sofá. É que precisava de ir controlando o resultado do jogo Nadal - Gonzalez, que acabou por ser suspenso por causa da chuva. Pude dormir o resto da noite na cama, mas a primeira coisa que fiz quando acordei foi ver o resultado.
a

Trivialidades 198

Acho que deveria existir uma disposição no Código do Trabalho que permitisse às pessoas não trabalhar em dias de trovoada.

Trivialidades 197

Tipos de pessoas

As que tratam as pessoas por “doutor” e as outras. a

Trivialidades 196

Kim Clijsters
a
Estou muito contente com o regresso da Kim ao ténis. É que durante muito tempo não me apeteceu ver ténis feminino.
a

Homenagens 51

Lleyton Hewitt
a
Isto não é porque o Lleyton Hewitt até ganhou o primeiro set ao Federer na terceira ronda do US Open (o Roger acabou de ganhar o segundo), é por causa da sua esquerda a duas mãos de que eu tanto gosto. Mas ao procurá-la no youtube, encontrei isto primeiro



Lleyton Hewitt a cantar uma das suas músicas preferidas – Eye of the tiger
a

Trivialidades 195

Não era suficiente serem uma desgraça em Portugal?

Os CTT vão entrar também em Moçambique e Angola.
a

Trivialidades 194

Ciclo hunks - Nélson Évora





Apontamentos fugazes 157

Perfeição

Tenho uma obsessão com a perfeição. É uma obsessão que me faz mal. Mas é em momentos destes em que ponho Antony and the Johnsons a tocar, ouço o The crying light, que sei. Sei que não estou sozinha nesta obsessão e sei que a perfeição existe. E a perfeição é… perfeita. E a sua ironia é existir. E o seu riso de escárnio é existir fora de mim. E ainda assim. É tão perfeita que me traz lágrimas de felicidade.
a

Trivialidades 193

Látex

Da última vez que vi um rapaz giro dentro do meu prédio, aconteceu isto. E “isto” já foi há muito, muito tempo. Sou tão diferente hoje. Jamais cometeria a mesma gaffe. Jamais.

Hoje vi novamente, e pela segunda vez apenas, outro rapaz giro a entrar no elevador. Aliás, dois rapazes jeitosos. Comecem a perguntar-se o que eu fiz. Comecem.

Ora, eu estava a descer do meu apartamento para a garagem para ir encher o depósito do limpa-vidros do carro com detergente. E o capot do carro ainda é uma coisa sujita, portanto eu decidi calçar luvas. De látex. Luvas de látex. Mas lembrei-me que antes de ir à garagem deveria passar pela minha caixa de correio. (Luvas de látex calçadas, ok?) E quando, no rés-do-chão, a porta do elevador se abriu, aparecem os dois rapazes jeitosos, transpirados depois de uma partida de ténis.

E eu?

Ah. Eu?! Eu olhei para eles e de mãos em riste, de luvas de látex calçadas, digo “olá”.

Já sabem quem vão culpar se aparecer alguém assassinado no meu prédio, não já?
a

Trivialidades 191

Time flies by so fast

Hoje fiquei deprimida quando percebi que passei a receber diuturnidades.
a

Recomendações 39

Bruno Aleixo

O Bruno Aleixo está de volta na internet com “7 Artes”.



PS. Ainda bem que o Bruno regressou. Estava a ressacar com os episódios repetidos na Sic Radical.
a

Recomendações 38

Andrew Bird



[Andrew Bird, Fitz and the Dizzyspells, from Noble Beast (2009)]
a

Apontamentos fugazes 156

For warlords to think…

Who needs action when you got words?

Plateau, Curt Kirkwood
a

Trivialidades 190

Ciclo hunks – Trey Hardee



Tendo em atenção que o Šebrle não vai ganhar o decatlo, que tal se torcêssemos todos pelo hunky Trey?
a

Apontamentos fugazes 155

As expectativas são uma coisa lixada.
a

Homenagens 50

Usain Bolt

Ao contrário de toda a gente, a mim deixou-me inquieta a manifestação de poderio do Bolt antes da final. Como é que no dia da final ele continua a brincar com as câmaras, a flirtar com os espectadores e quase não se concentra? Comecei a temer que essa leveza se voltasse contra ele. Mas, claro, ele sabe muito mais sobre si do que eu. E, como se viu, aquela maneira de lidar com o desporto funciona na perfeição para ele.


All hail Usain!



[100m, Campeonatos Mundiais de Atletismo 2009, Berlin]
a

Apontamentos fugazes 154

"Ain’t no shame in holdin’ on to your grief."

Bubbs, the wire
q

Trivialidades 189

Ciclo guilty pleasures
a
Tomar pequeno-almoço no Starbucks: "era um tall mocha e um blueberry muffin light. Agora que é Verão, substitua o mocha por um caramel frappucino, sff".
a

Contos 25

My next relationship

My next relationship will be utterly elegant.

I will not tolerate again cheap, distasteful stuff. For my next relationship, I shall dress up and go to the opera. And I shall take fancy spectacles with me. I will never again accept to be asked to dress down.

In my next relationship, there will be no beer drinkers. Only elegant drinks will be allowed. Expensive red wine, though I prefer white. For my next relationship, I shall polish my nails red and will not permit a scratch.

My next relationship will be comprised of grey hair. All hidden, thank goodness. But everything shall be mature, yet young. Rather powerful. Terribly intense. I shall be shamefully proud of it.

Oh. My next relationship will be fucking elegant. I shall have it with myself.
a
[Agosto de 2009]

Trivialidades 188

O meu tipo de datas importantes

Já tive mais 10 000 visitantes no meu blog do que o ano em que nasci (dC).

Homenagens 49

As minhas escolhas dos Campeonatos mundiais de Natação 09



Michael Phelps 1º 100m m WR, 2º 200m l, 1º 200 m m WR
Depois de não ganhar os 200 m livres, SÓ bate dois WR

Paul Biedermann 1º 200m l WR, 1º 400m l WR
Bateu um WR do Ian Thorpe; braçada fantástica

César Cielo Filho 1º 50 m l CR, 1º100 m l WR
Speedman

Ryan Lochte 3º 200 m c, 1º 200 m e WR, 1º 400m e
Mesmo com um nado mais “cansado” consegue ser o “homem dos estilos”. Os norte-americanos vão estar sempre a dificultar a vida ao Cseh.

Lin Zhang 3º 400 m l, 1º 800 m l WR, 5º 1500m l
Aniquilou o WR do Hackett aos 800 m: menos 6s!

Junya Koga 2º 50m c, 1º 100m c CR
Um costista notável

Frederick Bousquet (2º 50 m l, 3º 100 m l), Daniel Guyrta (1º 200 m b WR) e Emil Tahirovic (7º 50m b)
Acho-lhes graça


Britta Steffen 1ª 50 m l WR, 1ª 100 m l WR
Speedwoman. Aconselho ver as provas dela: ela não inspira nos últimos 15 m, quer nos 50, quer nos 100 m livres.

Federica Pellegrini 1ª 200 m l WR, 1ª 400 m l WR
2 WR notáveis , a primeira mulher a nadar 400 m abaixo dos 4m

Kirsty Coventry 8ª 100 m c, 1ª 200 m c WR, 4ª 200 m e, 2ª 400 m e
É o equivalente ao Lochte. Hiper combativa, nadou imensas provas.
a

Trivialidades 187

O que eu ouço em repeat




[Les misérables – Master of the house]

Homenagens 48

Talented legend killer


[Paul Biedermann – novo campeão e recordista mundial dos 200m l em piscina de 50m]

Disclaimer: esta medalha de prata nos 200m l não retira valor nenhum ao Phelps.

Nota: Fui só eu que achei a braçada do Phelps curta e presa? Ele pareceu-me... nervoso...

Recomendações 37

Muse’s new album – The resistance




[Single de apresentação: United States of Eurasia plus collateral damages
Spoiler: acaba com um dos meus nocturnos preferidos do Chopin]
a

Recomendações 36

Roma 09 – Swimming world championships

Decorrem esta semana os 13ºs campeonatos mundiais de natação. Hoje é o primeiro dia. 4 records do mundo foram já batidos, um dos quais o mítico record dos 400m livres do Ian Thorpe, por Paul Biedermann, outro pela Federica Pellegrini, a primeira mulher a nadar 400m livres em menos de 4m (os outros records aconteceram nos 100m f mariposa e 200m f estilos). Nem preciso de falar do n.º de records dos campeonatos.

Enquanto escrevia este post, o record do mundo dos 100m f livres foi batido na prova de 4x100m. Por 2s! Ah, e entretanto, a Holanda bateu o record do mundo dos 4x100m f livres.

I love this sport!
a

Apontamentos fugazes 153

Death as a logical person sees it

«I think people believe in heaven because they don’t like the idea of dying, because they want to carry on living and they don’t like the idea that other people will move into their house and put their things into the rubbish.
(…)
What actually happens when you die is that your brain stops working and your body rots, like Rabbit did when he did and we buried him in the earth at the bottom of the garden.»

Christopher Boone (15 year old with Asperger syndrome) in «The curious incident of the dog in the night-time», Mark Haddon, Vintage, pp. 43
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Apontamentos fugazes 152

One of the reasons why I think communism is dreadful

«’You are very clever,’ Liz observed approaching her.
‘I am a worker,’ the woman replied acidly. ‘The concept of brain workers must be destroyed. There are no categories, only workers; no antithesis between physical and mental labour. Haven’t you read Lenin?’
‘Then the people in this prison are intellectuals?’
The woman smiled. ‘Yes,’ she said ‘they are reactionaries who call themselves progressive: they defend the individual against the state. Do you know what Khrushchev said about the counter-revolution in Hungary?’
(...)
‘He said it would never have happened if a couple of writers had been shot in time.’»

«The spy who came in from the cold», John le Carré, Hooder, pp. 210

Pensamentos líquidos 100

Outrageous

Mais uma activista russa assassinada: Natalya Estemirova. Eu acho que é altura de se fazer qualquer coisa nestes regimes totalitaristas nos quais se assassina todas as pessoas que dizem coisas que são inconvenientes.

It’s time for the UN to really step up.
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Trivialidades 186

Le tour

O traçado deste Tour parece-me patético. Não encontrei uma etapa que acabasse no topo de uma subida. Quem é que eles querem beneficiar?

E.T. em 21-07-2009: Erro meu: há duas etapas que acabam no topo, mas uma não é de categoria especial. Ainda assim, o traçado continua a parecer-me estranho.
a
a

Trivialidades 185

Palavrões

Uma daquelas notícias giras. Uma experiência conduzida na Universidade de Keele permitiu concluir que as pessoas conseguem suportar dor durante mais tempo quando dizem palavrões.

Glimpse 22

Schloss Augustusburg - Brühl



Glimpse 20

O bocadinho de terra a que cada alemão tem direito


Homenagens 47

Who is the ladiest of ladies?

- Billie Holiday
- Ella Fitzgerald
- Nina Simone
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Glimpse 19

Bonn

[Garden, Beethoven's birthplace]




[Museums]

[University]


[Cathedral]

Apontamentos fugazes 150

L’amour

"I have loved to the point of madness; that which is called madness, that which to me, is the only sensible way to love."

Françoise Sagan

Apontamentos fugazes 149

Hoje

É só mais um dia mau. O círculo está fechado.

Apontamentos fugazes 148

Coisas que me falam

Hoje tive oportunidade de ver uma exposição de Kandinsky. Notável. Mas não me conseguiu provocar qualquer emoção. Depois pude ver uma exposição de Modigliani e, apesar de eu não ser a maior apreciadora de retratos, eles falaram comigo. E subitamente um quadrinho pequenino, no meio de salas enormes de museus ideais. Um quadrinho que falou logo, logo comigo. Era Tanguy. Conversámos durante horas nos minutos que estive lá.
a

Trivialidades 184

Mrs. I’m busy

That was what I was called one of this days...
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Trivialidades 183

GPS

A minha relação com o GPS é pior que patética.

Apontamentos fugazes 147

Love

«Anything for Jamie. So much devotion, and such pleasure in providing it. What does Billy want? Whatever Jamie wants. What pleases Billy? Whatever pleases Jamie. What absorbs attentive Billy? Jamie! Jamie! Delighting Jamie! Should that worshipful accord unbelievably never lose its power, lucky pair! But should she one day spurn his close attention, withhold her approbation, resist arousal by his passion, miserable, vulnerable, tenderized man! He’ll never spend a day without her without thinking of her fifty times. She’ll ride roughshod over her successors forever. He’ll think about her till he dies. He’ll think about her while he dies.»

Zuckerman about Billy in «Exit ghost», Philip Roth, Vintage, pp. 163
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Trivialidades 182

Nadal

Se tiverem interesse em ténis, no Nadal ou nos dois, leiam este artigo do NYT.

Muito, muito obrigada ao S. por me ter mostrado o texto.
a

Trivialidades 181

My blog outlives my relationships.
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Apontamentos fugazes 146

Reality in writing

«But isn’t one’s pain quotient shocking enough without fictional amplification, without giving things an intensity that is ephemeral in life and sometimes even unseen? Not for some. For some very, very few that amplification, evolving uncertainly out of nothing, constitutes their only assurance, and the unlived, the surmise, fully drawn in print on paper, is the life whose meaning comes to matter the most.»

Zuckerman in «Exit ghost», Philip Roth, Vintage, pp. 147
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Trivialidades 180

Words on Mourinho

O Mourinho é das pessoas mais fiéis q conheço.
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Trivialidades 179

The melty man

After this,



Comes this,

Patrick – You can come inside, if you´d like.
Sally – Yes, but can you?

Coupling, ep. “The melty man”, 2nd season
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Glimpse 16

Rhein wasserfalls





Schaffhausen

Trivialidades 178

Body language

I guess I told you already that sometimes, some things happen to me. Today, I was coming to work by tram, like I always do. Not always the best company in the tram, though, but today it looked quiet… for a while.

At a stop, four young guys jumped in. At first, I ignored them as I was reading le Carré with interest. But they started speaking really loud, which is a nice way of saying they started yelling, as if yelling was just their ordinary way of speaking. That upset me because I was really interested in my book. They stood fairly close to me for a while and even though they were speaking in German I started having the feeling that were talking about me and trying me to talk to them, as I heard something about my sunglasses and my book. I ignored it, thinking to myself that sometimes, and I do mean very rarely, it is nice not to talk a language and keep oneself ignorant of some things.

In the meantime, the person sitting next to me left as well as the other two people seating in front of me. By then I felt unprotected with a few bullies ready to annoy me. One of them set next to me and impeded people from sitting in front, as well as in the next bench, so that he would have clear sight to two of his friends. At that time, I was doing nothing else than pretending to read, as I understood they were still trying to mess around.

But it got impossible to ignore when the guy seating next to me decided to put his face really close to mine. I took my sunglasses off and looked at him defiantly. He said something in German I could not understand and I replied, in English, that I did not speak the language. And then he gave one of the best lines I’ve ever heard. He said

"It doesn’t matter because I speak body language. Do you speak body language?"

And while he said that, he put his bare chest really close to my face. I was not expecting he would be bare-chested, with only a wide-open overcoat on. Nice skin and nice tummy. Nice blue eyes in a bully’s face. This became challenging, so I said "I do. I’m just not interested." While I pretended that he hadn’t got my attention, he said something like "Let me look in my dictionary something to say to you." Opening his overcoat even wider and turning pages of an imaginary book, he said "My dictionary says you look good. "

I told you that sometimes, some things happen to me, but I don’t know if ever told you that I like games. This type of games. Liking games made me reply "Well, I do like your dictionary." My commuting journey was by then almost over, but I would have to pass in front of him to leave and he had blocked my way. Calmly, I closed my book, looked at him and said "I have to go now." And then he got me again, but with a rather vulgar line this time

"Where are you going? To my bed?"

I was already standing close to the door and I replied "Too bad, you know? I told you I’m not interested." And I left. Smiling.
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Apontamentos fugazes 145

Bush vs. Kerry

[while waiting for results of the Bush vs Kerry election, when democrats were believed to win]

«”These guys would have devastated the country,” he said, “had they won a second term” We’ve had bad presidents and we’ve survived, but this one’s the bottom. Serious cognitive deficiencies. Dogmatic. A tremendously limited ignoramus about to wreck a very great thing. There’s a description in Macbeth that’s perfect for him. (…) ‘a wayward son,’ Hecate says, ‘spiteful and wrathful.’ George Bush in six words. (…) It’s amazing they pulled it off for even one term. It’s terrifying to think what they would have done with a second term. These are terrible, evil guys. But their arrogance and their lies finally caught up with them.”»

Billie in «Exit ghost», Philip Roth, Vintage, pp. 72

[while waiting for results of the Bush vs Kerry election, when little hope existed for a win by the democrats]

«“Oh, the world is so dim,” Jamie exclaimed with tears in her eyes. “Last time it seemed like a fluke. There was Florida. There was Nader. But this I don’t understand! I can’t believe it! It’s incredible! I’m going to go out and get an abortion. I don’t care if I’m pregnant or not. Get an abortion while you can.”»

Jamie in «Exit ghost», Philip Roth, Vintage, pp. 85
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Recomendações 35

A próxima tournée dos Muse




Shame on you for thinking
You're an exception
We're all to blame
Crashing down to earth
Wasting and burning out
Fading like a dead star
Harm is coming your way
It's coming your way

And you used to be everything to me
And now you're tired of fighting
Tired of fighting
Fighting yourself

Shame on you for thinking
You're all alone
If you want I'll make you wish you were
Failing to impress
Why can't you sleep with
Someone who'll protect you?
Harm is coming your way
It's coming your way

And you used to be everything to me
And now you're tired of fighting
Tired of fighting
Fighting yourself

[Dead Star, Muse]

Pensamentos líquidos 99

Preocupações



- A taxa de abstenção
- A continuação do sucesso de partidos intolerantes, xenófobos e que defendem a violação de liberdades individuais

Apontamentos fugazes 144

Displacement

On a Thursday, with the ECB announcing possible details to the monetary policy decisions, in the middle of briefings and other work, my only concern was how Obama’s speech in Cairo would turn out.
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Pensamentos líquidos 98

Obama’s speech in Cairo

Pode ser um discurso cheio de Deus, de deuses, de religião, de religiões. Pode ser um discurso que, como já li, não faz a verdadeira separação entre o Estado e a religião. Pode ser um discurso cheio de citações de textos religiosos.

Podia ser um discurso falhado. Mas não foi. Foi um discurso brilhante.

O que o tornou um discurso brilhante (claro, é uma opinião pessoal) foram as regras básicas do discurso e uma capacidade notável de as pôr em prática, de escolher as palavras certas, as frases apelativas, a retórica apropriada.

Este tornou-se um discurso muito esperado, o discurso “decisivo”. Não podia ser um discurso agressivo, intolerante, mas também não podia ser cobarde, escamoteado. E o Obama e a sua equipa conseguiram um equilíbrio admirável no texto.

Um discurso serve para transmitir ideias. Mas só produz efeitos se a audiência tiver interesse na mensagem. Por isso é que Obama citou com frequência textos religiosos: porque ele precisava de conseguir o interesse da audiência na mensagem. E a audiência era composta fundamentalmente de pessoas religiosas. Quer me agrade ou não, quer partilhe os princípios ou não, eu não vou falar dos glaciares às pessoas do Sahara quando quero que elas embarquem comigo numa viagem por um objectivo comum. Vou falar-lhe dos interesses e preocupações comuns. Vou tentar criar afinidade.

Acho que todos temos que nos lembrar que Obama estava em território hostil. Hostil porque, depois dos últimos anos, é demasiado fácil criticar os EUA. Hostil por causa da relação dos EUA e de Israel. Hostil pela dificuldade que é limpar uma imagem.

E, na minha opinião, Obama conseguiu ultrapassar isso sem abdicar dos pontos fundamentais. Não é por suportar a causa de um Estado palestiniano que deixou de condenar os ataques suicidas. Não é porque o que aconteceu a seguir foi errado, que deixou de relembrar a tragédia do 11 de Setembro. E o fundamental aqui foi (e será sempre) o respeito pelos direitos humanos. E ele conseguiu transmitir isso, seja na maneira subtil como introduziu o respeito pela escolha, seja no modo como falou do direito a viver sem ter um alvo na testa.

Eu sei. Eu sei. Tenho uma simpatia grande por ele. E pelo rapaz que escreve os discursos, se bem que dizem que o próprio Obama trabalhou bastante neste. Mas leiam o discurso. Leiam-no, tendo em mente o objectivo, tendo em mente o passado pesado que os EUA têm em relação ao mundo árabe. Leiam-no e deixem-se inebriar se for esse o caso. Eu li-o assim e se o Obama me aparecesse aqui enquanto o lia e me dissesse que o mundo ia mesmo ser um mundo melhor, eu achava que o Alberto Caeiro estava errado e que feliz seria eu e todos os que vivem a vida a querer inventar a máquina de fazer felicidade.


Uns excertos

«Of course, recognising our common humanity is only the beginning of our task. Words alone cannot meet the needs of our people. These needs will be met only if we act boldly in the years ahead; and if we understand that the challenges we face are shared, and our failure to meet them will hurt us all.

For we have learned from recent experience that when a financial system weakens in one country, prosperity is hurt everywhere. When a new flu infects one human being, all are at risk. When one nation pursues a nuclear weapon, the risk of nuclear attack rises for all nations. When violent extremists operate in one stretch of mountains, people are endangered across an ocean. And when innocents in Bosnia and Darfur are slaughtered, that is a stain on our collective conscience. That is what it means to share this world in the 21st century. That is the responsibility we have to one another as human beings.

This is a difficult responsibility to embrace. For human history has often been a record of nations and tribes subjugating one another to serve their own interests. Yet in this new age, such attitudes are self-defeating. Given our interdependence, any world order that elevates one nation or group of people over another will inevitably fail. So whatever we think of the past, we must not be prisoners of it. Our problems must be dealt with through partnership; progress must be shared.

That does not mean we should ignore sources of tension. Indeed, it suggests the opposite: we must face these tensions squarely.
(…)
The issues that I have described will not be easy to address. But we have a responsibility to join together on behalf of the world we seek – a world where extremists no longer threaten our people, and American troops have come home; a world where Israelis and Palestinians are each secure in a state of their own, and nuclear energy is used for peaceful purposes; a world where governments serve their citizens, and the rights of all God's children are respected. Those are mutual interests. That is the world we seek. But we can only achieve it together.

I know there are many – Muslim and non-Muslim – who question whether we can forge this new beginning. Some are eager to stoke the flames of division, and to stand in the way of progress. Some suggest that it isn't worth the effort – that we are fated to disagree, and civilisations are doomed to clash. Many more are simply skeptical that real change can occur. There is so much fear, so much mistrust. But if we choose to be bound by the past, we will never move forward. And I want to particularly say this to young people of every faith, in every country – you, more than anyone, have the ability to remake this world.

All of us share this world for but a brief moment in time. The question is whether we spend that time focused on what pushes us apart, or whether we commit ourselves to an effort – a sustained effort _ to find common ground, to focus on the future we seek for our children, and to respect the dignity of all human beings.

It is easier to start wars than to end them. It is easier to blame others than to look inward; to see what is different about someone than to find the things we share. But we should choose the right path, not just the easy path. There is also one rule that lies at the heart of every religion – that we do unto others as we would have them do unto us. This truth transcends nations and peoples – a belief that isn't new; that isn't black or white or brown; that isn't Christian, or Muslim or Jew. It's a belief that pulsed in the cradle of civilisation, and that still beats in the heart of billions. It's a faith in other people, and it's what brought me here today.

We have the power to make the world we seek, but only if we have the courage to make a new beginning, keeping in mind what has been written.»
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Glimpse 15

Schwarzwald


[Baden Baden]




[Schwarzwald, the real deal]


[Treiburg Wasserfalls]


[Titisee]

Trivialidades 177

Rafa Nadal

Eu passo um fim-de-semana grande (na Alemanha, ontem foi feriado) no meio da Schwarzwald sem internet. Não é o meu enquadramento ideal, mas para ver uma vez parece-me bem. O que não me parece bem é ficar sem saber o que aconteceu ao meu Rafazinho e chegar à uma da manhã de 2ª feira e descobrir!

Tresloucada, tentei procurar os motivos. Quando li as declarações do Rafa fiquei desarmada. Como é que alguém consegue ser tão auto-responsabilizante e honesto? Tenho, pelo Nadal, uma admiração inqualificável e sempre crescente. Mesmo depois de uma derrota na quarta ronda de Roland Garros.
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Apontamentos fugazes 143

I wish I was
I wish I was

Still

A woman like a man
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Apontamentos fugazes 143

Hope there's someone

Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, will I go
Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired
There's a ghost on the horizon
When I go to bed
How can I fall asleep at night
How will I rest my head
Oh I'm scared of the middle place
Between light and nowhere
I don't want to be the one
Left in there, left in there
There's a man on the horizon
Wish that I'd go to bed
If I fall to his feet tonight
Will allow rest my head
So here's hoping
I will not drown
Or paralyze in light
And godsend I don't want to go
To the seal's watershed
Hope there's someone
Who'll take care of me
When I die, Will I go
Hope there's someone
Who'll set my heart free
Nice to hold when I'm tired

from "I am a bird now", Antony and the Johnsons
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Diabólico

Até agora, tinha 666 posts publicados.
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Trivialidades 176

Som

No sítio onde agora trabalho não há música. Nem sequer “media player” instalado nos computadores. E não consigo pôr o meu Ipod a funcionar. Para mim este é um sítio difícil. Trabalho em condições precárias porque trabalho sem música.

A minha colega de gabinete foi-se embora; fiquei sozinha e decidi hoje utilizar um daqueles sites onde se pode ouvir música online. Criei a minha rádio e enchi-a de Antony and the Johnsons e fiquei contente porque subitamente podia trabalhar a ouvir música.

Mas tenho que ter muito cuidado porque o som tem que estar suficientemente baixinho (o suficiente para eu e mais ninguém ouvir). O que significa que tem que "passar" o som do ar condicionado que é altíssimo, mas não chegar à porta. Um equilíbrio difícil.

Passadas algumas horas percebi que havia um gemido dentro do meu gabinete. Um gemido constante. Um gemiiiidddooooo. O ar condicionado tinha abafado a minha música e o Antony só gemia. Um gemido doloroso.

Ainda assim. Prefiro ter o Antony a gemer baixinho algures perto das minhas pernas do que não ouvir nada para além do ar condicionado.
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Apontamentos fugazes 141

Possibilidades

Não são as possibilidades que tenho por estar no sítio onde estou, mas todas as que perco por não estar em todos os outros.

Poemas 34

Colo

Adoro-te mesmo quando duvido de mim,
enquanto me sinto fragmentos esparsos
porque sei que me sabes colar os bocados.

Adoro-te, ausente e presente nos meus dias
porque me acalmas a dor com palavras
que escreves em conversas de nadas.

Adoro-te nas horas em que me escondo
para partilhar minutos comigo, a sós,
porque me conforta saber que existes.

Adoro-te até à loucura da possibilidade
porque posso dormir no teu colo,
quando sou menos do que um espectro.

Adoro-te porque sei por que te adoro
quando sorrimos cúmplices, nas manhãs
em que acordamos ao mesmo tempo…

[Outubro de 2007]

Apontamentos fugazes 140

Kitchen for one – half a life

“He was standing in what the old man would have called his kitchen: the window-sill with the gas ring on it, the tiny home-made food-store with holes drilled for ventilation. We men who cook for ourselves are half-creatures, he thought as he scanned the two shelves, tugged out the saucepan and the frying-pan, poked among the cayenne and the paprika. Anywhere else in the house – even in bed – you can cut yourself off, read your books, deceive yourself that solitude is best. But in the kitchen the signs of incompleteness are too strident. Half of one black loaf. Half of one coarse sausage. Half an onion. Half a pint of milk. Half a lemon. Half a packet of black tea. Half a life.”

«Smiley’s people», John le Carré, Hodder & Stoughton, 2006, pp. 91
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Trivialidades 175

Eurovisão

Não imaginam como a Eurovisão é uma coisa com impacto na Alemanha.
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Trivialidades 174

Nadal

Isn’t he just lovely?





[Rafa Nadal – Djoko, semi Madrid, 2009]

Apontamentos fugazes 139

George Orwell

Lovely, lovely article about Eric Blair (para o público George Orwell)
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Apontamentos fugazes 138

Avulsos

Islândia na UE. Depois do que aconteceu... pois. Eles não se podem esquecer que um dos princípios da UE é a solidariedade.

Berlusconi não quer uma Itália multi-étnica. Eu gostava de ter um mundo sem Berlusconi.

Nobel da Paz possível presidente da república guatemalteca.

Artigo engraçado sobre o que pessoas famosas dizem e que normalmente é mentira
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Poemas 33

Pretend

Do I have to pretend again?
That I need to write
Whilst I have nothing to say?

Do I have to pretend again?
While I am so lost,
In this immense place
I can’t find my ways.

Do I have to pretend again?
There are still ways out
While all doors are closed
And I am in chains.

Do I have to pretend again?
Just for all other people
To feel better and in peace
While I am being torn apart.

Do I have to pretend again?
When my time is elapsing sand
Escaping of my hourglass destiny
Into my hole of despair.

Do I have to pretend again?
That I need to write
When I just want to escape.

[Maio de 2009]

Apontamentos fugazes 136

Educated migration

“I was probably the dumbest out of all guys at work, or at least the worst educated. We got African doctors, Albanian lawyers, Iraqi chemists… I was the only one who didn’t have a college degree. (I don’t understand how there isn’t more pizza-related violence in our society. Just imagine: you’re like the top whatever in Zimbabwe, brain surgeon or whatever, ant then you have to come to England because the fascist regime wants to nail your ass to a tree, and you end up being patronized at three in the morning by some stoned teenage motherfucker with the munchies… I mean, shouldn’t you be legally entitled to break his fucking jaw?)”

JJ in «A long way down», Nick Hornby, Penguin, pp. 23
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Trivialidades 173

A imagem do dia


[Drogba, depois da meia final Barcelona-Chelsea da Liga dos Campeões]

Trivialidades 172

Quero o meu acupunctor!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Não consigo pensar. Estou agitada. E tudo se resolvia com uma ida ao meu acupunctor. Bolas. Bolas. Bolas.
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Pensamentos líquidos 97

Exposição: pensamentos sobre activismo (social) e qualidade de vida individual

Estava a ver o Milk e comecei a ter um conjunto de pensamentos na minha cabeça que precisava de ser escrito. Um conjunto de pensamentos emaranhado que, no entanto, apresentava convicções muito fortes. E quando reparei tinha páginas de parágrafos desconexos, cheios de intensidade, mas pouca coerência. A incoerência devia-se provavelmente a duas coisas: primeiro, não conseguia parar de chorar enquanto escrevia e segundo, a minha mente não funciona linearmente.

Tentei uma depuração, mas precisava tanto de gritar estas ideias. Tanto. Se escrevesse este texto há alguns (poucos) anos atrás, escrevê-lo-ia certamente de um ponto de vista diferente. Mas não hoje, não agora, quando as minhas ideias estão mais inseguras, mas algumas das minhas convicções mais fortes do que nunca.

E por isso vou aproveitar para dedicar este texto a algumas pessoas. Primeiro e acima de tudo, às pessoas que nunca abdicaram de mim por nenhum bem maior ou por egoísmo e segundo às pessoas que conheço e para quem sei que a luta do Milk foi importante.



Começando pelo Milk. A jeito de “sinopsear” o filme, Harvey Milk é um activista dos direitos dos homossexuais e torna-se político, tendo os direitos dos homossexuais como a prioridade da sua “agenda”. E é assassinado. Enquanto Milk luta pela defesa dos direitos dos homossexuais negligencia a relação com o seu companheiro. Destrói a relação com a pessoa de quem gosta, que por acaso é um homem. E se, por um lado, a sua luta é tão meritória que não devia sequer existir, por outro, é tão triste que simultaneamente inviabilize a possibilidade de usufruir de eventuais ganhos dessa luta. A luta social que encetou prejudicou-o e prejudicou a outra pessoa que mais interesse também teria nessa luta – o seu companheiro 1.

Porquanto Milk não quis ser assassinado e não “escolheu” sê-lo, escolheu continuar a luta em favor da sociedade em detrimento de escolher o seu companheiro. E isto é uma merda. Muito sinceramente, da maneira como eu agora vejo isto, ele tinha as prioridades trocadas. E, no entanto, para as outras pessoas que beneficiaram da sua luta, do seu comportamento, a vida melhorou. E, no entanto, eu admiro a sua luta tremendamente. Mas só porque não sou o Scotty.


Em geral, viver uma vida é uma coisa complicada e difícil. Pelo menos quando se pensa um bocadinho nela. E tudo piora muito quando as pessoas de quem se gosta abdicam de nós por um “bem maior”. Pois bem, a minha tese é que não há bem maior.

A “sociedade” impacta a vida de cada indivíduo de maneiras que, por vezes, parecem indiciar que não é sequer composta também por esses indivíduos. De facto, em “sociedades ideais”, não deveria haver impactos em liberdades individuais pela força “externa” da sociedade. Como não deveria haver violações de direitos humanos. Mas há. E são estes impactos que requerem que se continue a lutar. A lutar por direitos e a lutar por liberdades. E portanto a promover este activismo social.

Mas pelo bem de cada indivíduo activista e de todos os que lhes são próximos, não se deve achar que há um bem maior que merece todos os sacrifícios. A maior parte dos activistas de que me lembro, mesmo garantindo a melhoria de condições de vida para alguns indivíduos, tiveram a sua vida pessoal arruinada. E não me refiro só aos que foram assassinados.

Por isso e só para evitar equívocos: eu não estou a dizer que não se deve lutar. Pelo contrário: deve lutar-se até ao limite possível, mas não se deve chegar à “martirização” da luta ou da causa, mesmo quando válida. E por isso é que é importante ter grupos civis que funcionem como lobbies ao poder político. Por isso é que é importante garantir que as pessoas têm liberdade para promover essa luta. Por isso é que é importante que todas as pessoas que acreditam que algumas coisas estão mal façam qualquer coisa. Porque se fizerem, haverá menos mártires não intencionais.

A garantia da prevalência de direitos humanos e de liberdades individuais é tão importante como a garantia do respeito pela vida. E isto porque viver uma vida é muito mais do que sobrevivê-la. É saber que se pode gostar de um rapaz ou de uma rapariga e não haver nada de errado nisso. É saber que não há KKKs a incendiarem casas e a matarem pessoas. É saber que um muçulmano aceita um cristão, um cristão aceita um muçulmano e que ambos aceitam ateus.

De cada vez que, em Portugal, me encontro com amigos homossexuais em sítios públicos e percebo que não se sentem sequer confortáveis em ter manifestações normais de afecto, tenho vontade de bater às pessoas que estão por perto. Porque não devia ser assim. E por isto, sim, eu devo lutar. Todos vocês devem lutar. Quando uma coisa ridícula como casar não é permitido a alguém só pelo sexo das pessoas; sim, deve lutar-se.

Esta é a minha pequena tentativa activista. Um dos meus gritos como os banners ali na barra de lado. Mas é também a minha tentativa de dizer que o activismo só vale a pena porquanto permite viver melhor. E ser morto por isso (à excepção de quem, legitimamente, acha que essa também é uma via) em geral não vale a pena.

Porque se o activismo normalmente tem inerente características sociais (pelo menos no que eu me quero referir aqui), é sempre verdade que a sociedade é composta por indivíduos. E por muito que às vezes me digam que o todo é maior do que a soma das partes, eu vou continuar a achar que o todo será sempre menor do que um indivíduo que seja. E eu não acho que haja um bem maior na sociedade, per se. Mas há um bem muito maior em cada indivíduo de cada sociedade.

Por isso deixa-me muito contente sempre que cada pessoa dentro “da sociedade” pode fazer algo que a deixa um bocadinho, um bocadinho que seja, mais feliz por causa de um objectivo atingido na luta pela garantia de direitos humanos e de liberdades individuais.

E ainda assim. Há uma angústia terrível que não me abandona. Há uma angústia terrível porque penso em todos os activistas mortos. Em todos os activistas que, ainda que garantindo a melhoria de condições de vida para alguns indivíduos, tiveram a sua vida pessoal arruinada.

Choro. Choro pela injustiça. De todos os casos que aconteceram. E porque sei que vai continuar a acontecer.


1 Para garantir a veracidade das coisas, note-se que esta visão só é abordada no filme na segunda relação de Milk. E eu escrevi o texto antes de ver essa parte do filme, portanto refiro-me à primeira relação retratada no filme.
a