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Homenagens 73

A Moon Shaped Pool

Referi há algum tempo que queria escrever sobre o último álbum dos Radiohead, A Moon Shaped Pool, quando partilhei uma versão antiga de uma música recuperada nesse álbum – True love waits. 
Desde essa altura, várias coisas aconteceram. Em particular, vi o concerto dos Radiohead no Primavera Sound, em Barcelona. E se a reação esperada seria o embevecimento, o que aconteceu foi o oposto. Imaginem o que é estar a quilómetros de onde decorre um concerto e ouvir resquícios da música distorcida pela distância. Foi o que me aconteceu no concerto dos Radiohead no Primavera Sound. As condições de som foram paupérrimas e posso apenas acreditar – tendo em atenção as críticas que li – que os Radiohead deram um bom concerto. Mas, para uma fã, isto é pura mágoa. Já escrevi um email reprovador à organização do Primavera Sound porque as condições de som foram, em geral, bastante más e revelam pouco cuidado com os artistas. E um festival de música digno precisa de evidenciar o maior respeito pelos artistas e não se preocupar miopemente com a dimensão. 
Mas A Moon Shaped Pool merece um post em êxtase. E comecei-o com comentários acerca do concerto apenas para provar que nem um concerto triste pode mudar a minha opinião.
Os álbuns anteriores, The King of Limbs e, mesmo, In Rainbows são álbuns difíceis, que demorei algum tempo a aprender a gostar e que, mesmo assim, conservaram sempre alguma distância, debalde as minhas tentativas de aproximação. Durante algum tempo, na sua torre de perfeição, os Radiohead começaram a criar algo tão imaculável, mas tão incrivelmente abstrato, que me senti ligeiramente perdida. Isto não quer dizer que me tenha afastado dos Radiohead. Os Radiohead serão sempre especiais. Os Radiohead serão sempre mais especiais. 
Com A Moon Shaped Pool, os Radiohead regressam à abstração perfeita não hermética. A Moon Shaped Pool é um álbum despido de tudo o que não é necessário e cheio de Radiohead. É um álbum que me enche de imensidão, mesmo quando reconheço a minha pequenez; é um álbum maior. 
Talvez sejam o meu calcanhar de Aquiles, onde escolho ser frágil, mas os Radiohead, neste álbum trouxeram-me uma perfeição deliciosamente humana. Enquanto procuro um sentido, reconheço que há momentos em que esse sentido maior pode não ser necessário:
In you I’m lost.

Decks dark, A Moon Shaped Pool, 2016, Radiohead

Recomendações 83

True love waits

Um dia destes quero escrever sobre o último álbum dos Radiohead, A Moon Shaped Pool. Mas hoje quero ficar por uma das suas faixas, na verdade, um tema já antigo. Lindíssimo. Lindíssimo. Sobre as ironias da vida.

I’ll drown my beliefs
To have your babies 


True love waits, now in A Moon Shaped Pool, Radiohead

Homenagens 66

Thom Yorke e PJ Harvey


The mess we’re in, por Thom Yorke e PJ Harvey, em “Stories from the city, stories from the sea”, de PJ Harvey

Apontamentos fugazes 219

Descobri que fico com borboletas na barriga enquanto espero para ouvir o álbum novo do Thom Yorke. 

Recomendações 63

Um concerto dos Radiohead

God loves his children / God loves his children yeah


[Paranoid Android, Radiohead, at Optimus Alive 2012]

Apontamentos fugazes 199

I’ve been thinking about you

So how can you sleep?





[Thinking about you, Pablo Honey, Radiohead]

Melhores temas de sempre 1

Creep, Radiohead

Plagiada de uma iniciativa de amigos, organizei uma colectânea das “25 melhores músicas de sempre”. Tenho-me levado à loucura da escolha porque 25 é uma selecção muito restritiva e há um conjunto reduzido de bandas que, por si, preencheriam todos os lugares. Anyway, horas e dias e semanas de re-audições de discografias inteiras: finalizei há momentos a minha escolha. E vou mostrar-vos aos bocadinhos qual é.

E só poderia começar assim. O expoente da desadequação, da beleza estética e da "verdade" artística.

I wish I was special/…/ but I’m a creep/ I’m a weirdo/ what the hell am I doing here/ I don’t belong here

I don’t care if it hurts/ I wanna have control/ I want a perfect body/ I want a perfect soul


Creep, Radiohead, Pablo honey, 1993

a

État d'esprit

[Radiohead, Climbing up the walls]

Recomendações 24

Scotch Mist

O que eu achei no youtube… uma pérola



by Radiohead, from In Rainbows

Homenagens 25

Karma Police

Muitos dos meus dias são assim




[Radiohead]

Karma Police, I’ve given all I can, it’s not enough
I’ve given all I can, but we’re still on the payroll
(…)
And for a minute there, I lost myself, I lost myself.

Homenagens 23

O homem dos meus sonhos

[Thom Yorke]

Trivialidades 99

I've been thinking about you

so how can you sleep?



[Thinking about you, Radiohead]

Pensamentos líquidos 63

Radiohead vistos à luz do novo álbum

Muitas coisas merecem ser escritas após reflexão. Mas se se pensar muito, perde-se a oportunidade. E eu já estou atrasada. E logo depois da minha última homenagem.

Há algum tempo atrás ouvi que os Radiohead não tinham editora para o novo álbum. Puzzlement. Rumores. Nos meus dias em Londres descobri finalmente. Atrasada. Mas finalmente.

Há uma semana atrás, os Radiohead anunciaram que o seu novo álbum «In rainbows» estaria disponível no seu website a partir de 10 de Outubro (amanhã). Sem editora pelo meio. Sem nada, para além dos cinco magníficos, e uns advogados, creio. Qualquer pessoa pode abrir o site e comprar o álbum (download ou discbox). Isto já é curioso. Mas é só a ponta do iceberg. É que os 70 % abaixo da água dizem que o preço (no caso de download) é decidido exclusivamente pelo comprador. E pode ser exactamente igual a 0£. Sim, é verdade.

É por isto que este deveria ser um post com mais reflexão porque não sei muito bem o que acho disto. Foi uma decisão dos Radiohead, consciente, decerto, logo não posso achar mal. Mas o modelo de distribuição? Bem, aqui ainda é fácil, porque detesto, visceralmente, pensar que quem tem a parte artística, criativa, de algo pode ganhar menos (ou o mesmo ou até pouco mais) do que quem distribui ou promove. Portanto, se não querem ter editora, apoio. Não funciona para todos, é certo. Mas, claro, funciona para bandas como os Radiohead. E, a parte mais curiosa, o preço? Sobre o preço não sei. É que é demasiado tentador pagar… nada. Mas um preço livre também permite pagar o preço justo. Mas determinado só pelo comprador.

E agora todos…

- “Cara F., quanto é que vais pagar pelo álbum?”

Provavelmente nada pelos downloads. É que eu sou uma rapariga que gosta de coisas físicas. E quero mesmo a discbox. Ah… E também sei que vou pagar o preço que me pedirem por um bilhete para um concerto deles. Porque ouvi dizer que se aproxima uma tournée fantástica em 2008.

Homenagens 18

Radiohead - I

Escrevi vários posts, que nunca publiquei, sobre os Radiohead. Porque o post sobre os Radiohead teria que ser “O post”. Teria que ser perfeito. E achei que, de alguma maneira, tinha só uma oportunidade para o conseguir. Mas esta tarde reconsiderei. Posso começar por vos dizer coisas, sem escrever “O post”. Porque esse vai ter que ser perfeito. Vou ter que o afinar, aperfeiçoar e, eventualmente, nunca o postar.

Ainda assim, aquilo que tenho para vos dizer hoje é suficiente para perceberem o que os Radiohead são para mim. E só preciso escrever duas coisas.

1. Se me exigissem que mantivesse, no mundo, só uma banda / um músico / um compositor, sem que mais ninguém pudesse “musicar”, eu deixaria os Radiohead.

2. Tenho, semanalmente, que entregar a resolução de um problem set de matemática. Detesto ter que os fazer porque não os percebo (nem os exercícios resolvidos sei, paradoxalmente, resolver). Quando me sentei, hoje ao início da tarde, para essa tarefa ingrata, depois de ter escolhido o CD que me acompanharia, disse «Não pode ser menos que Radiohead, só eles tornam este martírio suportável».

E ouvi o Ok Computer três vezes seguidas.



[Radiohead – Let Down]