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Pensamentos líquidos 34

Educação novamente


Já deve ter dado para perceber que a minha irmã frequenta o 12º ano. Um ano importante, certo?

Mais ou menos a meio do primeiro período, começou a suspeitar-se que a média de entrada no ensino superior pudesse ter outro cálculo por via da parte relativa à média do ensino secundário: era dado como certo que a nota de Educação Física não entrava nessa média. Ora, começou, como disse, a suspeitar-se que pudesse não ser assim. Várias tentativas de re-ganhar certeza no conhecimento das regras através da escola foram em vão. Foi necessário contactar a DRE, que respondeu com a base legal na qual, dificilmente se percebia que, de facto, a nota de Educação Física entrava no cálculo da média de secundário. Sem entrar na questão de perceber se isso faz ou não sentido, quero destacar a informação difusa, para não lhe chamar sonegação de informação que proliferou e, fundamentalmente, a falta de “certeza legal”. Pode ser mania minha, mas eu acho que os alunos não devem ter que jogar à apanhada nestas coisas.

O caso começou a difundir-se e as novidades são agora curiosas: a meio de um ano lectivo propôs-se que, afinal, a nota de Educação Física entra na média do ensino secundário caso o aluno queira! Um erro, tentativamente, abafado por uma maneira de acalmar ânimos. Muito bem! Parabenizo todos aqueles que não sabem o que é certeza legal. E peço para irem festejar para um sítio onde não afectem ninguém, s’il vous plait. E, já agora, tenham vergonha na cara.

E porque apanho isto a jeito. Soube hoje que não é permitido aos alunos levarem comida ou bebidas para os exames. Acho bem. Eu também gosto de trabalhar sequiosa e desidratada, principalmente quando me exigem o melhor e disso depende o meu futuro e, mais ainda, quando os exames são às 11.30 e de matemática.

Pois, vergonha nas vossas carinhas e, principalmente, um bocadinho de RESPEITO.

P.S. Deixo a TLEBS para outro dia, ok?

Pensamentos líquidos 1

Educação e os exames de acesso à faculdade


Às vezes tenho a sensação cruelmente nítida que a maioria das pessoas não percebe o valor da educação. Não percebem como é o elemento estruturante derradeiro ou talvez… primeiro. Não escrevo agora sequer de desenvolvimento pessoal no sentido de evolução, escrevo no sentido de adquirir competências e saberes. É fundamental reconhecer a necessidade de promover uma educação de qualidade que estimule o interesse pelo conhecimento. E promover uma educação que premeie o esforço e esse conhecimento.

É de conhecimento geral que a entrada na faculdade se faz a partir de uma nota de entrada calculada como uma média ponderada entre a nota final de secundário e a(s) nota(s) da(s) prova(s) específica(s). Julgo, todavia, não ser de conhecimento geral que, actualmente, essas provas específicas podem advir de disciplinas até ao 11º ano ou do 12º ano. Isto significa que algumas específicas de entrada são feitas no final do 11º ano. Vou deixar para outros posts a discussão do esquema de educação. Este focar-se-á neste ponto específico.

Para além das dúvidas e inconsistências de informação proliferarem, designadamente nas escolas (instituições às quais a informação remetida é escassa!), a sensação de precariedade desta situação é tremenda. Gostava que se lembrassem desse tempo de espera para entrar na faculdade. Já não é uma altura fantástica, agora imaginem se nem sequer percebessem o que estava em causa e para o que estavam a trabalhar. Mas adiante.

Cheguei a ver provas de 11º ano. Falaram-me de outras de 12º ano. Interessantes. Um esquema muito “norte-americano”. A maior parte das provas é constituída por análise de textos. Por exemplo, em biologia-geologia. Por exemplo, em físico-química. Ah, esqueci-me de um detalhe, o bulk dos exames é escolha múltipla, correspondência e verdadeiros/falsos. Interessante. Exige que se saiba pouco. A interpretação dos textos serve para as cruzinhas. Interessante, de facto. E vergonhoso. É melhor acertar por acaso do que avaliar realmente o que sabem... e depois há as perguntas que subestimam a inteligência dos alunos, para não dizer que a ofendem. Eles merecem melhor do que isso.

Soube também que resoluções correctas de exercícios eram avaliadas a 0 (zero) se não fossem a resolução preconizada pelos critérios. Repito: resoluções correctas. Pensei que as provas, em educação, serviam para avaliar conhecimentos. Espanto. Afinal servem para avaliar capacidade de adivinhação. Chamemos a Ms. Trelawney do Harry Potter. Decerto será útil.

Nem sequer me vou pronunciar sobre os erros. Ok, se calhar, vou. Acho de uma falta de responsabilidade e de uma falta de respeito inqualificáveis. E, em termos práticos, estes erros podem arruinar a forma como pessoas que, estarão provavelmente um pouco nervosas, fazem a gestão de tempo durante a prova.

Et voilà. É este o nível de confiança que se tenta incutir aos jovens. É este o respeito que eles merecem numa fase tão decisiva das suas vidas. Como se essa fase não fosse já cheia de dúvidas e indecisões...