Poemas 15

Em jeito de Prelúdio

Não sei o que se passa comigo nos últimos dias, em concreto desde a última vez que postei um poema meu. Uma poema que, curiosamente, sempre achei que nunca postaria. Nesse dia, em que o escolhi, surpreendi-me várias vezes a ler com agrado o que tinha escrito. Poemas antigos. Normalmente, critico-me à exaustão e sinto-me envergonhada. Porque obviamente já não escrevo daquele modo, porque os acho mal escritos, porque, porque… Nestes dias tenho-me lido com agrado. Sei que isto deve ser muito momentâneo, talvez umas sinapses a falharem, mas vou cometer a loucura de, enquanto me estiver a ler assim, publicar mais assiduamente o que tenho escrito em verso. Sob pena de me arrepender. Mas.

Vão aparecer coisas naive, vão aparecer coisas estranhas e vão aparecer muitas coisas más. Compreendam. Isto deve ser só uma fase.


Lonjura


É tão fácil amar-te quando estás longe
e és imenso na tua perfeição
de intensidade ou ternura
nas imagens de lonjura que tenho de ti.
E tão doce o sabor que inalo
do perfume saudoso que persiste
que recordo na memória que resiste
à ferocidade do tempo que me mata.
É tão lógico o sentimento
que já não tem sentido nenhum;
adoro-te ausente num futuro comum
e deixo-te longe na proximidade dos corpos.
E nem é fácil, nem difícil, é inexorável
o caminho que já sei ir percorrer
na pérfida indiferença de esconder
a cobardia de uma alma só.

[Dezembro de 2002]

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